domingo, 2 de novembro de 2014

POR UM DIA...


Sou uma estrangeira que o silêncio de paredes brancas e esquecidas perturbou.
Deixa-me entorpecida o menor rumor de um dia duro e enublado — algo penoso.
Fica a minha memória vazia dos passados dias, sufocados em tédio e cal.
Eu então emito palavras que se assemelham a pedras arrastas tão pouco polidas,
capazes de  ferir as almas já magoadas...

Por um dia, é outro não dia, incapaz da candura de outros tempos!

domingo, 26 de outubro de 2014

De partida...

A vida nem sempre é justa... por vezes partem aqueles que achamos que não devem! Umas vezes é cedo de mais, outras vezes porque egoisticamente não queremos deixa-los partir... Há uma dor menor quando lhes conhecemos o sofrimento das dores avassaladoras, que definham o corpo, que definham o ser - e nós nada podemos fazer de forma a minorar esse estado. Mas perante o súbito, tornamo-nos impotentes! Cria-se em nós uma angustia depressiva, que nos deixa letárgicos... Não sabemos como nos defender destes ferimentos crivados directamente no coração. Humildemente, temos que aprender a agradecer a riqueza da presença daqueles com que privamos e acreditarmos que se tornaram estrelas que subiram ao firmamento, e lá de cima zelam por aqueles que amaram!

sábado, 13 de setembro de 2014

Lágrimas....

 As lágrimas também fazem parte da nossa jornada.... os dias passam, e vivemos uma catadupa de emoções! se por vezes sorrimos, gargalhamos, também fazem parte os não menos nobres momentos de tristeza, de frustração e às vezes até de irritabilidade... importa, gerirmos cada momento, absorvermos as lições que confluem em aprendizagens que nos levam a crescer enquanto pessoas, e que nos permite ganhar forças para vivermos a vida, num dia de cada vez, lutando sempre pelos nosso objectivos!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Na noite, sozinha...

Esta noite, embalada nos sonhos por concretizar,
mantenho-me desperta...
Envolvo-me, enrolada entre os lençois,
como um feto no ventre da mãe...
Dou conta do barulho do cães que ladram na rua, ...
das cigarras que se escondem entre as ervas...
As luzes tremeluzentes oscilam
na escuridão de um céu que esconde as estrelas...
Sozinha, no canto que me acolhe,
sou somente espetadora dos episódios que sucedem...
Contudo, não sou alheia a nada!

 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Aldeias do meu país...

Aldeias de gente antiga, lugares com história, de cheiros característicos e paladares singulares... viver na terra, da terra! Arrastando-se numa vivência de tempos árduos e nos dias que se prolongam! restam os lugares, as casas vazias, os ventos que sussurram  o que já ali aconteceu... Escutam os mais atentos, os que continuam a lutar pela sobrevivência desses lugares perdidos, que os exibem num esforço incansável, para que as memórias não morram nas lembranças de um povo foragido às suas raízes!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

The story of my life...

Perdida e achada numa rua desencontrada,
navegando por rios profundos que levam a mares de esperança...
Esbarro nas pedras, dou-lhes um pontapé
mas agacho-me e apanho uma flor que se atravessa no caminho.
A porta bateu e fechou-se,...

então espreitei pela janela tapada.
Não vi nada, apenas me encontraram
a vaguear pelas estradas conturbadas que levam ao infinito.
Se desejei, hoje já não quero.
Não estou, já fui!

domingo, 6 de julho de 2014

Conforto de Consciência

Às vezes penso que o conforto só nos conforta quando sabemos que os outros também estão confortáveis, caso contrário não há conforto possível quando a consciência nos pesa... e ela pode pesar-nos não só pelo que fazemos como também por aquilo que deixamos de fazer.
 
Sei que devo viver para fazer ainda mais pelos outros... mas para continuar a ajudar tenho que encontrar um novo caminho em que eu possa estar plena dos atos que cometo e acometida de uma força satisfatória interior que nem sempre me resta, pelas agruras da vida, inclusive aquelas que me são alheias e cujas dores também as torno minhas!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Um mar inteiro à minha frente
rebelde, revolto…
E o meu cabelo livre, tão solto!

A minha boca sorri...

Desço as mãos pelo meu corpo,
navegando e arrastando
os pensamentos que me levam até ti...

terça-feira, 17 de junho de 2014

O QUE FAZEMOS POR AQUI?

Entre as palavras que uma amiga escreveu senti a cumplicidade das emoções que também ela acarreta... Fiz a mesma pergunta que ela fez... Que fazemos nós aqui?!

Sei que a vida segue de novo, sempre o mesmo caminho, os mesmos rostos, os mesmos movimentos, as mesmas conversas...e nós vamos morrendo...vamos deixando ao lado do nada, inertes, cansadas de lutar contra a corrente...
Na realidade fazemos tanto ou tão pouco... mas vamos fazendo o que nos é incumbido, e apesar do esforço, conseguimos pouco mais do que isso. A insatisfação emerge dando aso à frustração enredada entre a soma de inúmeras derrotas. A vida passa e, olhando para trás,  temos apenas uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma!
Não sei o que faço por aqui mas já fiz alguma coisa - já plantei uma árvore, já escrevi um livro e já tive 2 filhos!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

... quando eu sou apenas eu

Na vida nascemos, crescemos, vivemos e morremos e chegamos à conclusão que tudo tem haver com os papeís sociais que desempenhamos na sociedade...
Na profissão somos o que fazemos, na escola - ou somos o aluno tal, ou passamos a ser a mãe dos alunos, em casa - somos filhas, somos esposas, amantes ou meras criadas...
Tenho uma certeza, eu sou eu, quando vivo na liberdade, de colocar os pés na água do mar, ou na relva de um descampado e deixo voar os pensamentos que povoam aquela que é apenas a minha alma!
Deixo nas palavras que escrevo
os sons que a minha alma emite!

 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Embriagada




















Embriagada pelo que resta de uma sobrevivência cadente,
vive atemorizada pelos dias que passam...
Num passo lesto e veloz que a leva facilmente onde não quer chegar,
segue cambaleante pela resiliência apaziguada
de uma dor que se torna parte daquilo que é.