domingo, 22 de dezembro de 2013

Todos os espelhos desertaram,
agora, apenas existem sombras de mim
que não me deixam reerguer
ou sequer renascer das cinzas
tal como fénix majestosa.
Não sei quando terei novamente o brilho da luz
que hoje insolente e perversa
 me abandonou.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

QUEM CONTA UM CONTO... ACRESCENTA UM PONTO

Era uma vez….
Um gato tigrado chamado Sebastião. Era grande e gordo!
Era um gato bisbitolheiro e muito traquinas! Parecia mesmo o gato Garfield!
Ele morava num luxuoso hotel para gatos muito confortável, pois até jacuzi tinha!
Às vezes saía para ir ter com os seus amigos! Gostavam de ir ao cinema ver filmes de terror! O problema é que depois o nosso amigo Sebastião tinha medo de voltar para casa pois sabia que ía ter pesadelos!  Mas ele tinha um truque na “manga” para evitar esses sonhos maus! Adorava beber leitinho morno na sua tigela preferida para o ajudar a acalmar!
Quando os humanos se reuniam para conversar o Sebastião juntava-se logo ao grupo para ouvir as conversas e deleitar-se com as histórias que as pessoas contavam.
De vez em quando este gato maroto também gostava de pregar umas partidas e trazia para a sala onde todos estavam sentados a conviver, um ratinho ou alguma cobra e outras vezes punha-se atrás de alguém e fazia um barulho que mais parecia que a pessoa estava a dar um pum!
Ora, mas se houvesse quem que lhe atirasse com uma bola ou um novelo de lã era uma perdição para o Sebastião! Ía logo tentar apanhar e podia ficar horas entretido com esta brincadeira!
Certo dia, este grande gato tigrado, num dos seus passeios viu uma linda gata de pelo branco, de grande olhos azuis! O nome desta deslumbrante bichana era Morgana!
Na verdade, os gatos enamoraram-se!
A Morgana juntou-se ao Sebastião e sabem que passado algum tempo nasceram três lindos gatinhos bebés?!
Viveram felizes para sempre!   

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

OUTONO em mim


Ontem acordei com as dores de uma velha árvores no outono;
levantei-me e senti que o corpo não era mais do que um tronco suspenso,
e a folhagem caída deixou o vazio e a solidão nos ramos despidos.


 
Fugiram os pássaros, cessaram seu canto de mansidão
e os meus braços concâvos de espera
são apenas o refúgio de grossas gotas de chuva!
Sou assim…  feita desse vento que não se deixa ver, nem apanhar
desse nada empedernido que preenche vazios.
côncavos de espera,
impacientes de ternura.
Quero o bracejar dos pássaros,
ser refúgio dos ventos que me procuram,
tornar-me na folhagem que te abriga,
ser o ninho na tua noite, aberto
com a inquietação e a serenidade
dos rumores das aves mais tardias.
Não, desta vez não vou ...

quarta-feira, 26 de junho de 2013

FRUTA DE VERÃO


 com os dedos, retiro a pele
e o sumo escorre pelas mãos...
são os lábios que acariciam os gomos
e a língua deleita-se com a nobreza dos paladares!
separa-se o dorso, a pele, o suco...
... trinca-se num devaneio de cheiros e gostos
numa boca humedecida,
ávida da melhor fruta...
 

A FRUTA DE VERÃO

segunda-feira, 18 de março de 2013

MULHERES & AMIGAS

Parto e reparto com ela ou contigo episódios e detalhes da minha vida... Entre nós não há segredos, há a maior das cumplicidades e a perfeita compreensão das dualidades da vida! Crescemos juntas, rimos, gargalhamos, choramos e consolamo-nos! Já temos rugas, cabelos brancos, maiores responsabilidades, mas continuamos nós!!!! a gostarmos umas das outras! O tempo passa, estamos aqui, acolá.... Mas se for preciso, temos a certeza de estarmos cá de braços abertos e de ombro disponivel para acolher aquela dor ou partilhar de uma alegria! Assim são as AMIGAS! ASSIM SÃO AS MULHERES DA MINHA VIDA!!!!

Não, Nada...

Porque há noites assim, que despertam desalentos, que despultam tormentas interiores.... (ontem à noite)

"Amanhã, não me apetece acordar...
não quero abrir os olhos,
nem sentir quaisquer ruidos
ou tão pouco os odores que perspassam por todo o lado.
Não quero acordar porque não tenho um caminho,
não tenho para onde ir...
Sinto que vagueio, tal qual caminhante errante...
Se amanhã não acordar não deixo nada,
não tenho qualquer legado que possa passar como herança.
Sou como um nada no meio de tudo!"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

... No outro dia estive em casa ...

Agora estou sentada, numa casa solitária, à beira da lareira, a olhar para a serra... há muito tempo que não sentia esta tranquilidade... de manhã, a caminho de Trancoso, avistei um cenário branco e fui invadida por uma certa euforia! Nevou durante a noite e, pela manhã, os telhados das casas, o chão, o cimo das plantas estavam replectos de uma cândida e fofa camada de neve! toquei-lhe, pequei nela e apeteceu-me atirar uma bola contra alguém! na realidade também quis sentir o seu cheiro inodoro e saborea-la! levei-a aos lábios e senti-a derreter na minha boca! Hoje senti-me verdadeiramente em casa, hoje senti-me EU!

Desaparecer...

Às vezes sentimo-nos assim... desnudados, numa quietude mórbida, sem vontade de acordar! O toque do outro é invasor, uma forma de violação.... é a sensação de querermos ser invisiveis!

PalAvrAs mUdAs

As palavras esgueiram-se, tendem a não serem ditas ou sequer pronunciadas!
Ignoram-se as vozes mudas de sentimentos que se calam...
Parecem que usam mordaças que não os deixam falar, nem usam gestos em vez da voz!
Tento decifrar esta lingua incompreensível mas agora percebo que é de uma alma que não existe!