sábado, 26 de setembro de 2015



O fim do dia trouxe consigo uma tranquilidade estranha... à beira mar, não se sentia o burburinho usual da água, não corria uma aragem e nem havia a multidão de gente habitual a passear no paredão. Percorremos os trilhos, já tantas vezes calcorreados e, de mão dada, fomos andando e conversando sobre trivialidades! Com as perguntas inocentes típicas de uma infância curiosa, os pensamentos foram viajando... ficamos perdidas com o olhar no horizonte, os pés a pisarem a areia e a experimentarem a frescura do oceano. Deu tempo, para apanhar conchas, escavar um buraco e sentirmos o silêncio confortável que se foi instalando. Num abraço apertado, com a noite a cair lá ao fundo, sobre o Bugio, voltamos à realidade de um final de domingo....
 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

...

Depois de um dia de trabalho, indo pela estrada que já conheço de cor, dá-me para virar e encosto a uma berma.
Agora estou aqui, tão de fente para o mar, mas abafa-me o burburinho daqueles que passam para mais uma diversão de sábado à noite. A maré está vazia, chega-me o odor a maresia, irrita-me o desassossego.
Faz-me falta a tranquilidade do campo, o silêncio apenas preenchido pelo som das cigarras, o cheiro dos pinheiros da serra, o cintilar mágico das 1000 estrelas que nos espreitam.
Apetecia-me estar lá... deitada numa esteira, acolhida pelo chão de terra quente, num aconchego confortável que nos deixa adormecer sob o vigiar atento de uma lua cheia.
Por agora ligo o carro e sigo caminho... vou para onde moro, para onde mais havia de ir?!

domingo, 3 de maio de 2015

AnjOs

No dia a dia há coisas que nos fazem sorrir, outras que nos levam às lágrimas... no meio da alegria, da tristeza, na saúde ou na doença, acredito que connosco, e em nós há uma presença celestial permanente! Sim... acredito que todos temos um Anjo da Guarda que nos protege de noite e de dia... 
Eu tenho um anjo com umas asas gigantes que me abraça nos momentos de desespero, que me envolve em situações de perigo e que mantém as asas abertas, quando contempla o meu completo contentamento - só possível quando eu própria me sinto inebriada pelo som das gargalhadas dos meus filhos.
O meu anjo tem um nome, tem um rosto que me é tão próximo... sinto a sua presença em tantos momentos! Aparece-me nos sonhos, acerca-me com o seu odor familiar, sinto laivos de uma aragem quando passa... Fala-me ao coração, quando estou num silêncio capaz de ouvir essas palavras mudas que apenas se sentem... Enche-me com a sua calma e paciência quando eu estou na minha maior inquietude interior, tenta apaziguar as dores que só ferem o nosso íntimo!
Até hoje, tal como me ensinou a minha bisavó, que dá rosto a esse anjo invisível, continuo a fazer a minha oração nocturna, a pedir protecção, acima de tudo para os meus filhos. Ao meu Anjo, que continua a emanar essa luz radiante que ilumina a minha vida!
"Meu Anjo da Guarda,
minha doce companhia
Guarda a minha alma
de noite e de dia".

SINTRA

Conduzi sem rumo e fui ter, onde pertenço... Na serra, o Cheiro a terra, a frescura das ervas macias, as sombras das mil e uma árvores que traçam o caminho que sigo, acompanham-me... Já me conhecem, pelos demais tempos que vou passando por aqui. Revejo as casas de sonho, que comportam anos de historias e das mais diversas vivências... Aqui e acoli os "meus palácios" que albergam tantas memorias felizes e os Jardins luxuriantes do mais belo canto de Portugal. Comigo a voz de Mariza e mais um livro... Estou, sem poder ficar... Mas por enquanto, deixo-me estar embrenhada na natureza, na introspecção dos meus pensamentos e numa paz de espírito que anseio q perdure - só por mais um bocadinho. Ali em baixo, Monserrate iça-se majestosamente, prometo-lhe uma visita em breve... E Também eu fico a sorrir!

SonhOs cOm Asas

Ò sonho das grandes asas, não sejas apenas sonho, liberta-te! Passa por cima das casas, dos campos e dos mares e sê a vida de todas as vidas... Mantém despertos os sentidos e quando penetrares na essência das coisas absorve de tudo um pouco - não sonhes com uma coisa ou outra, sonha com a vida inteira!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

SOneTo de Um diA TrisTe

Descalço-me... os sapatos ficam caídos
e os meus pés, deixo-os despidos.
A casa está escura e triste
Faço do degrau um banco que não existe.

O dia de chuva, cansativo
Fez-me perder esse ar altivo.
Sentada, alheia ao gato que mia
sofro, neste silêncio que agonia.

Quero ficar absorta nos pensamentos
Rever as tristezas e contentamentos
Deste longo dia que passou
mas que ainda não terminou.

Sou apenas uma sombra de quando fui alguém
Esquecida, escondida... quem me procurou?
Foram-se todos, não ficou nada, ninguém!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

 A maior prenda que podes dar aos outros é o exemplo da tua própria vida.


domingo, 18 de janeiro de 2015

Teatrinho à moda antiga

Mas que linda bonequinha e que bem vestida está! Dá licença, pois não dá que ela brinque com a minha?

Com essa mona? Isso sim, mas também é bonitita mas tem vestidos de chita e a minha de seda e cetim

E quem os fez, quem os coseu?

Mas que disparate, foi um qualquer alfaiate!

Pois os da minha fui eu! Não há dinheiro que valha o afã de quem trabalha com alma e coração!

Nesse caso aqui a tem, vão brincar!


Muito obrigada, a minha sozinha também brinca muito bem!
 

Texto à moda antiga

Comeste tudo irmãozinho, o pão-de-ló de uma vez?!

Tenho aí ainda um bocadinho, quase metade talvez…

Eu desejava…Queria um bocadinho, não me dás?

Tu tiveste uma fatia, e contente não estás?

Sim, tu provaste, mas eu nem sei que gosto tem

Ah… de sabido guardaste-o, mas prova o teu também!

Não, à porta da escola, um menino… tu não vês?

Ah já sei! Jogaste à bola e perdeste a aposta talvez

Não, pediu-me um triste que tinha fome e eu tive dó.

Muito bem, não resististe e deste-lhe o pão de ló! Quero abraçar-te meu irmão, devemos ser generosos e ter bom coração!